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Publicações > Artigos Legislar o entulho financeiro, pelo emprego A inadimplência para os consumidores brasileiros, segundo Exame/ Serasa, em junho/2017, chegou a 61 milhões agentes econômicos. Isso representa algo em torno de 50% da População Economicamente Ativa, entre 10 a 65 anos. Para Brasília, estima-se em 700 mil consumidores inadimplentes.

O problema não se resume a inadimplência em si, é que, ao deixar de pagar as dívidas, o inadimplente fica impedido de ir ao consumo. Trava-se a demanda, principalmente a de médio e a de longo prazo. Demanda Zero, salvam-se o básico. Em nível de Brasil, é como se um veículo de dois pistons se movesse com um deles comprometido, é claro que este deslocamento se fará a meia potência. Em economia isso tem nome: mais desemprego, menos consumo, mais quebradeira na oferta, empresas fechando as portas e mais endividamento nas empresas – que hoje chega a casa de 5,1 milhões endividadas -, maior risco de empréstimo e mais juros altos.

É óbvio que as pesquisas econômicas precisam ir fundo no assunto para caucionar as ações legislativas federais. Precisa se separar o joio do trigo com muito cuidado porque as raízes das causas da inadimplência encontram-se entrelaçadas em problemas realmente econômicos, como queda na renda, juros abusivos e o desemprego, mas também em problemas psicossociais – como diz o Paulinho da Viola, dinheiro na mão é vendaval, na mão de um sonhador.

Seja como for à média, segundo a Exame: cada brasileiro inadimplente tem três dívidas acumuladas, que somam R$ 8370,00. Essa dívida representa 3 vezes o ganho médio do brasileiro. Pela legislação a ser elaborada, o Ministro da Fazenda, observando os índices de inflação e de taxas de juros e da inadimplência generalizada, ficaria autorizado a baixar uma norma que orienta o mercado a fazer a renegociação das dívidas. Conhecimento técnico nos temos para isso.

Em 1996, publiquei um livro de matemática financeira: Modelo Geral de Sistemas de Amortização, que prevê matematicamente a renegociação de contratos financeiros. Os primeiros números brasileiros estão dizendo que deixar ao sabor do mercado, a negociação da inadimplência generalizada causara um estrago maior para todos. Sem demanda clara e atuante, sobe a capacidade ociosa e o mercado não investe. Sem investimento não se gera emprego novo.

Carlos Magno – Economista e Escritor.

Fonte: Confecon

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